Fertility

Congelamento de Óvulos

O sucesso das gestações quando há congelamento de óvulos e embriões

congelamento de Óvulos

O congelamento de óvulos é um tratamento bastante procurado, tanto por mulheres jovens que precisam se submeter a algum tratamento tóxico que afete seus ovários, quanto por aquelas que desejam adiar a maternidade para uma idade mais avançada. À medida em que esta técnica se torna mais popular e conhecida, ganha outras aplicações em áreas distintas, como a doação de óvulos.

Outra grande vantagem do congelamento é que ele elimina a necessidade de se transferir diversos embriões para o útero da paciente, já que podem ser descongelados um de cada vez e inseridos em diferentes ciclos, reduzindo-se a chance de gestação múltipla, o que pode trazer sérios riscos para a saúde tanto da mãe quanto dos bebês.

Alguns pesquisadores, entretanto, sugerem que o congelamento e o descongelamento possam ter um efeito negativo na qualidade dos óvulos e embriões, enquanto outros acreditam que apresentam o mesmo potencial de desenvolvimento que os frescos.

Outra questão diz respeito a qual seria o estágio ideal para o congelamento na fase de óvulos ainda não fertilizados, ou já na fase de embrião em seu terceiro dia de desenvolvimento?

Sobre o tema, o Fertility Medical Group desenvolveu uma pesquisa incluindo 8.081 óvulos, que deram origem a 6.713 embriões. Para este trabalho, criaram-se três grupos de estudo.

– Grupo 1: os embriões transferidos foram derivados de óvulos congelados;
– Grupo 2: os embriões derivados de óvulos frescos, que foram posteriormente congelados em seu terceiro dia de desenvolvimento foram transferidos;
– Grupo 3: os embriões transferidos eram frescos, derivados de óvulos frescos.

O estudo mostrou que, apesar de haver uma qualidade embrionária um pouco diminuída, em termos de aparência, quando se comparou embriões frescos com embriões provenientes de óvulos congelados, a taxa de gestação nos ciclos em que ocorreu criopreservação foi significativamente mais alta que aquela dos ciclos onde o óvulo e o embrião eram frescos. O estudo mostrou também que o congelamento de embriões é mais eficiente que o congelamento de óvulos para atingir a gestação.

Segundo o médico Edson Borges Jr., especialista em Reprodução Humana e responsável pelo estudo, embriões frescos são transferidos para o útero das pacientes no mesmo ciclo em que os ovários são estimulados para a coleta de óvulos. Quando há o congelamento, os embriões são transferidos em ciclos posteriores.

Aparentemente, o estímulo ovariano tem um efeito prejudicial na capacidade do útero de receber o embrião e resultar em gestação, o que explica os ótimos resultados atingidos em ciclos de descongelamento tanto de óvulos quanto de embriões. Essa pesquisa mostra que a técnica de congelamento pode ser uma excelente ferramenta para atingir o sucesso da reprodução assistida.


Banco de Óvulos

O óvulo, por ser uma célula muito grande, tinha um alto índice de perda no processo de congelamento e descongelamento lento, e pesquisadores procuraram minimizar o problema desenvolvendo novas técnicas de preservação.

A vitrificação mostrou ser a técnica ideal para este gameta, proporcionando índices acima de 95% de sobrevivência ao processo.

O congelamento lento, demora de 120 a 180 minutos para ser realizado, eficaz para a preservação de embriões, não é eficiente quando utilizados para óvulos, uma vez que se perdia muito material devido à formação de cristais de gelo no seu interior levando a precárias taxas de recuperação após descongelamento.

O uso da nova técnica impede a formação de cristais de gelo pela utilização de grande concentração de crioprotetores (substâncias que ajudam a manter a estrutura da célula intacta durante o processo) e o congelamento é muito rápido durando cerca de um segundo. Até 95% dos óvulos vitrificados superam este processo, e atualmente também está sendo aplicada para os embriões com sucesso.

O processo é seguro, o índice de malformações entre as crianças nascidas é de 2,5%, porcentagem comparável ao de nascimentos naturais ou por fecundação in vitro.

As vantagens são muitas:
Mulheres diagnosticadas com câncer, que irão submeter-se à quimioterapia, poderiam vitrificar seus óvulos antes do tratamento, uma vez que a fertilidade dessas pacientes pode ser afetada e existe o risco tornarem-se estéreis.
Possibilidade de armazenar óvulos em um banco de óvulos, assim como se faz há muitos anos com o sêmen, facilitando o processo de ovodoação.
Armazenar óvulos, ao invés de embriões, resolveria o dilema de casais que não se sentem confortáveis com esse fato.
Mulheres que queiram apenas preservar a fertilidade podem congelar seus óvulos quando ainda são jovens para utilização, no momento em que decidam gestar sem preocupação com a idade reprodutiva na ocasião. Os óvulos podem ser fecundados in vitro e os embriões obtidos transferidos ao útero com a mesma probabilidade de gestação que tinham no momento do congelamento.
Hoje existem clínicas de fertilização estocando mais de 5 mil embriões esquecidos, sem permissão legal para descarte. Já o descarte de óvulos é permitido.
A técnica está em uso nas clínicas de reprodução há 5 anos e, por ser uma novidade, não há dados que demonstrem o tempo de viabilidade de preservação dos óvulos vitrificados, porém, se utilizarmos por comparação o congelamento de embriões, consideramos que poderiam permanecer congelados intactos por um longo período.

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