Fertility

Perguntas sobre diagnóstico genético

É uma forma precoce de Diagnóstico Genético Pré-Natal, que se destina à prevenção de doenças genéticas, antes que a gestação tenha se estabelecido, através da seleção de embriões livres de doenças antes da transferência destes para o útero materno.

A casais que tenham tido um filho afetado por doença de padrão de herança recessivo ligado ao X (como a hemofilia) ou por outras doenças monogênicas (como a fibrose cística), a mães com idade avançada (maior ou igual a 35 anos), mulheres que já tenham tido abortos repetidos ou que já tenham sido submetidas a repetidos ciclos de FIV, sem sucesso. Outra indicação seria a detecção de doenças genéticas antes da gravidez, para aqueles casais que, por razões morais ou religiosas, não aceitam o diagnóstico pré-natal tradicional, no qual os fetos anormais necessitam ser submetidos a abortamento seletivo.

O PGD é feito através da remoção de um corpúsculo polar, de uma célula do embrião ou de algumas células do blastocisto, que são posteriormente analisadas, com a técnica indicada para a anomalia genética para a qual existe risco elevado.

A biópsia do corpúsculo polar é um método pré-concepcional, que envolve a remoção e a análise do 1º e 2º corpúsculos polares. Ela se destina a estudos que podem ser feitos apenas no gameta feminino, avaliando sua constituição gênica ou cromossômica.

A biópsia embrionária pode ser feita em dois estágios do embrião. O embrião do terceiro dia, isto é, com 72 horas
onde é retirada uma única célula para análise genética ou o embrião de quinta dia, isto é, em fase de blastocisto onde
são retiradas de 5 a 6 células deste embrião. As técnicas mais modernas utilizadas são o
Next Generation Sequencing (NGS) e o Array CGH (ACGH).

A biópsia de blastocisto pode ser realizada no 5º ou 6º dias após FIV ou ICSI, permitindo a remoção de um número maior de células. Este método não é frequentemente utilizado, pois apenas 30% dos embriões humanos atingem o estágio de blastocisto.

São doenças genéticas que são herdadas dos pais seguindo padrões de herança simples, que seguem as leis de Mendel. Existem mais de 10.000 doenças monogênicas conhecidas. A mais frequente é a fibrose cística, que acomete 1 em cada 2.000 crianças brancas nos Estados Unidos.

Utiliza-se um método molecular chamado PCR (polymerase chain reaction), no qual o DNA de uma única célula é amplificado para que se possa identificar a presença ou não de um gene que existe em uma família e que é responsável por uma doença genética.

São aquelas decorrentes de alterações no número ou na estrutura dos cromossomos. Os cromossomos são estruturas que ficam no núcleo das células e são compostos principalmente por DNA, que é o material genético e é responsável pela transmissão das características dos pais para os filhos, através das gerações.

Através de uma técnica de citogenética molecular conhecida por FISH (Fluorescent in situ hybridization). Nesta técnica, uma sonda (pedaço de DNA que reconhece uma região específica de um cromossomo), ligada a um fluorocromo (corante fluorescente que brilha com uma cor determinada para cada sonda) é submetida a um tratamento que faz com que ela reconheça os cromossomos que estão presentes no blastômero e assim se possa visualizar quantos cromossomos existem para cada sonda testada.
Os cromossomos analisados pelo PGD são: X, Y, 13, 15, 16, 18, 21 e 22.

A maior parte das alterações cromossômicas é incompatível com a vida e os embriões que as possuem não evoluem para gestações normais. Entretanto, algumas crianças com estas anomalias chegam a nascer. A doença cromossômica mais conhecida é a Síndrome de Down.

Não, o PGD só está indicado para mães de idade avançada que são inférteis e terão de se submeter a técnicas de Reprodução Assistida. Para mães idosas com fertilidade normal, o mais indicado é a realização de diagnóstico genético pré-natal pelas técnicas tradicionais, como a amniocentese na 14ª semana de gestação ou a coleta das vilosidades coriônicas.

O PGD é um procedimento multidisciplinar, abrangendo os campos da fertilização in vitro (FIV) e de harmonia entre as unidades de Reprodução Assistida e de Genética.

As unidades envolvidas no processo de PGD deverão ter grande experiência e alto índice de sucesso na fertilização in vitro e tradicional, no ICSI e biópsia de blastômeros e o Laboratório de Genética em Citogenética Clássica, Molecular e Biologia Molecular.

Estudos em animais demonstraram que não existe dano nos embriões biopsiados, caso se remova menos de 25 % do total de células (blastômeros) do embrião. Também já se constatou que a transferência de embriões parcialmente degenerados durante a FIV de rotina ou criopreservação não causam anormalidades fetais nem aumentam o risco para malformações congênitas.

É um processo de orientação relativo ao risco reprodutivo de um casal, auxiliando-o a compreender suas reais possibilidades, a conhecer os métodos disponíveis e a tomar decisões reprodutivas conscientes.

O Aconselhamento Genético-Reprodutivo, nos casos de PGD, deve ser sempre secundário ao Aconselhamento Genético-Reprodutivo geral, no qual é realizado o levantamento familiar detalhado e a análise cromossômica de ambos os cônjuges, o rastreamento de genes deletérios, se for o caso, a discussão dos recursos diagnósticos disponíveis, a análise das limitações clínicas e metodológicas existentes e, após as entrevistas necessárias, a tomada oportuna de decisões, em conjunto com a equipe multidisciplinar envolvida.

A fertilização in vitro tradicional (FIV) em geral e o ICSI em particular possuem um risco potencialmente aumentado para a transmissão de doenças genéticas que estariam naturalmente bloqueadas pela infertilidade. Os casais precisam tomar consciência de seus riscos específicos e a equipe médica deve estar preparada para controlar estes problemas, caso eles surjam.

O especialista em Reprodução Humana ou o Geneticista encarregado do Aconselhamento Genético irá solicitar o cariótipo de ambos os membros do casal, a pesquisa de microdeleções do cromossomo Y nos maridos que apresentarem deficiências seminais e ainda a identificação de doenças gênicas que possam estar segregando nas famílias dos cônjuges.

A frequência de aberrações cromossômicas entre os casais com problemas reprodutivos, incluindo infertilidade, abortamentos de repetição e prole malformada, situa-se na faixa de 10 a 15 %, de acordo com a amostra estudada. Naqueles casos em que se diagnostica uma alteração nos cromossomos, pode-se fornecer riscos específicos de repetição dos insucessos. Quando o risco estimado for elevado, o conhecimento deste fato evita o desapontamento e o desgaste emocional e financeiro. Como muitas vezes a fertilidade intrínseca não pode ser restaurada, a alternativa pode ser a FIV por doação, tanto de óvulos como de espermatozoides.