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Recanalização Tubária

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Considerado um método contraceptivo definitivo e que requer um procedimento cirúrgico, a laqueadura tubária vem sendo amplamente utilizada por pacientes que não desejam utilizar métodos contraceptivos hormonais ou métodos como o DIU e que pretendem encerrar sua vida reprodutiva.

A laqueadura tubária pode ser realizada durante a cesárea ou no pós-parto normal imediato, porém, idealmente deve ser feita após 40 dias do nascimento, quando os riscos de complicações com o bebe já diminuíram, portanto menores serão as chances de arrependimento do casal.

A condição para sua realização é ter prole constituída, preferencialmente após a idade de 30 anos, união estável ou qualquer condição que contra-indique gravidez definitiva.

Pode ser feita através de cirurgia “aberta” abdominal, por via vaginal (menos comum) ou por via videolaparoscópica. As vantagens da via laparoscópica são: menor dor pós-operatória, alta hospitalar precoce (muitas vezes no mesmo dia da cirurgia), retorno mais precoce às atividades, menor risco de infecção, possibilidade de estudo de toda a cavidade abdominal durante o procedimento, e melhores resultados estéticos. Pode ser realizada simultaneamente a outros procedimentos cirúrgicos, como por exemplo, durante o tratamento de cisto de ovário ou retirada de vesícula. A técnica cirúrgica consiste na ligadura e secção de porção da trompa, através de diversos mecanismos.

No entanto, a frequência observada de pacientes arrependidas por ter realizado o procedimento e desejosas de nova gravidez tem aumentado, sendo a troca de parceiro o principal motivo. O mesmo ocorre com homens submetidos à vasectomia. A instabilidade nos relacionamentos e a atitude menos passiva das mulheres, que ocupam um lugar no mercado de trabalho, faz com que maior número de casais procurem as clínicas de infertilidade para o restabelecimento da fertilidade.

Para resolvermos este problema podemos optar por 2 caminhos: a reversão cirúrgica da laqueadura ou a Fertilização in Vitro (FIV).

O caminho a ser tomado nestes casos depende de fatores como:

  • Idade da mulher;
  • Técnica cirúrgica utilizada para a realização da laqueadura;
  • Número de filhos que o casal deseja;
  • Outros fatores de subfertilidade envolvidos.

Pacientes com idade acima dos 36 anos, ou com perda prematura de sua reserva ovular (e isto pode ser avaliado por exames hormonais e medida ultrassonográfica dos ovários), devem preferencialmente ser tratadas pelo método de Fertilização in Vitro, já que o tempo é o principal inimigo da mulher nestas situações. O tempo necessário para a avaliação do sucesso ou não de uma reversão de laqueadura é de 6 meses a 1 ano após a cirurgia, tempo este valioso para as pacientes com este perfil de baixa reserva ovular.

Para realização de uma reversão de laqueadura, o comprimento da trompa residual e o local onde foi feita a ligadura são determinantes no sucesso do procedimento. Portanto, antes de optarmos pela reversão é fundamental a avaliação destes fatores “in loco”, através de uma laparoscopia prévia.

A reversão da laqueadura pode ser feita através da via tradicional (laparotomia) com auxílio de microscópio cirúrgico, ou mais modernamente através da própria videolaparoscopia, que nos traz uma adequada ampliação do campo cirúrgico e apresenta todas as vantagens já comentadas acima. Para tal procedimento é necessária equipe habilitada e especializada.

Casais jovens, que desejam mais de uma gravidez, tendem a optar pela reversão da laqueadura, ao invés da FIV. Porém, se a intenção do casal é a de engravidar apenas uma vez, a melhor opção é a Fertilização in Vitro.

Por fim, casais em que observamos na história clínica e nos exames iniciais algum outro fator potencial de subfertilidade vão se beneficiar mais com o uso da FIV, já que através dela poderemos corrigir também estes outros fatores. Por exemplo, em um casal cujo marido apresenta alteração seminal evidente, a reversão de laqueadura provavelmente não irá atingir seu objetivo. Do mesmo modo, pacientes com problemas de ovulação vão requerer tratamento adicional após o procedimento cirúrgico.

As taxas de sucesso da reversão cirúrgica da laqueadura tubária, quando frente a condições ideais, giram ao redor de 70-80% de permeabilidade tubária e ao redor de 60% de taxa de gravidez cumulativa, sendo os resultados equivalentes quando se considera as diferentes vias cirúrgicas.

Saiba mais sobre reversão da Vasectomia, aqui.