Agressões ao meio ambiente resultam em queda de fertilidade

Publicado 17 de junho de 2015 por Jornalismo Fertility. Atualizado 20:15.

Agressões ao solo, água e ar têm sido tema de algumas discussões globais acerca do impacto sobre a vida na Terra. Em muitos lugares, incluindo o Brasil, a população ainda é exposta a resíduos industriais perigosos. Estudos indicam que esses ‘disruptores endócrinos’ promovem alterações no sistema endocrinológico dos seres humanos, alterando a regulação dos hormônios e influenciando diretamente testículos, ovários, tireoide, metabolismo, desenvolvimento fetal etc. Ou seja, o sistema reprodutor está sob ameaça constante.
De acordo com Edson Borges Junior, especialista em Medicina Reprodutiva e diretor científico do Fertility Medical Group, um disruptor endócrino pode ter muitos alvos no sistema reprodutivo masculino. “As agressões do homem à natureza estão se voltando contra ele mesmo. Um dos maiores problemas que encontramos é o impacto direto de determinadas substâncias, inclusive de algumas encontradas em produtos de uso pessoal, sobre a espermatogênese e a produção de andrógenos. Ou seja, por conta dessa contaminação – na maioria das vezes inconsciente – muitos homens não produzem quantidade suficiente de espermatozoides para engravidar a parceira ou são espermatozoides de baixa qualidade, defeituosos. Isso é muito grave, se pensarmos no longo prazo”.
Os disruptores endócrinos costumam estar presentes em fórmulas de detergentes, produtos de higiene pessoal, resinas plásticas, tintas, agrotóxicos, fertilizantes etc. De acordo com o especialista, eles conseguem mimetizar os hormônios naturais, inibindo a ação desses e desregulando todo sistema endócrino, com alto potencial de comprometimento do sistema reprodutor, causando infertilidade. “Esses componentes estão tão presentes no dia a dia das pessoas, que elas respiram, ingerem ou entram em contato com eles sem se darem conta da gravidade. Uma vez que entram na corrente sanguínea, passam a interagir com nosso organismo de forma agressiva”.
Entre as substâncias tóxicas persistentes, as mais sujas são DDT, PCB, aldrin, endrin, dieldrin, clordano, toxafeno, mirex, heptacloro, hexaclorobenzeno, dioxinas e furanos. Mas também há compostos orgânicos de metais que têm como característica se acumular nos tecidos dos organismos vivos. “Embora banidos há algumas décadas, ainda encontramos traços de DDT e PCB nos fluidos humanos em razão de sua alta resistência à biodegradação. Outro aspecto importante é que, por mais que as pessoas entrem em contato com essas substâncias nocivas através da pele ou da inalação, ainda é através da boca que se dá a contaminação mais grave para o sistema reprodutor, seja pela ingestão direta de alimentos, seja pela água e outros líquidos ingeridos. Produtos de consumo diário, como peixe, carne e leite, entre outros, podem estar contaminados com resíduos de pesticidas, metais pesados, esteroides anabolizantes usados na indústria de alimentos etc.”
Borges revela que, em estudos recentes, descobriram que as taxas de sucesso aumentam durante tratamentos de fertilização assistida quando a paciente reduz significativamente o consumo de carne, por exemplo. Os xenoestrogênios, muito encontrados em alimentos ricos em gordura e até mesmo em algumas embalagens de garrafa PET (polietileno tereftalato), também estão sob suspeita de serem parcialmente responsáveis pelo declínio da qualidade dos espermatozoides. “No mundo todo, há uma queda na produção de espermatozoides de 1,9% ao ano, em média. Ainda não sabemos exatamente por que, mas se trata de uma combinação de fatores como maior exposição a poluição e agentes químicos, além de uma alimentação pouco saudável”.
Fonte: Dr. Edson Borges Junior, medico urologista, especialista em Medicina Reprodutiva, sócio-fundador e diretor científico do Fertility Medical Group.

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