Estudo revela que produtos usados no dia a dia podem reduzir fertilidade masculina

Publicado 15 de maio de 2014 por Marcelo Alexandre. Atualizado 20:17.

Pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, revelaram que cerca de um terço dos produtos químicos “não tóxicos” utilizados no dia a dia podem afetar seriamente a produção de espermatozoides. Ingredientes encontrados em pastas de dente, protetor solar, detergente e alguns plásticos, entre outros, demonstraram interferir diretamente na fertilidade masculina. Mais ainda: o uso combinado de vários itens pode resultar num ‘coquetel antifertilidade’.
De acordo com o professor Niels Skakkebaek, que coordenou os estudos, pela primeira vez foi possível mostrar uma relação direta entre a exposição a determinados químicos presentes em produtos industrializados e comercializados normalmente e seus efeitos adversos na função do esperma. Conhecidos como ‘desreguladores endócrinos’, foram estudados 96 agentes químicos e sua presença no esperma. Essas substâncias acabam entrando no organismo humano através da água, do ar, do contato com a pele e até por meio de embalagens que armazenam alimentos. São encontradas largamente em alguns pesticidas, medicamentos, produtos de beleza, pastas de dente, tintas etc.
Na opinião de Edson Borges Junior, especialista em Medicina Reprodutiva e diretor do Grupo Fertility, o estudo dinamarquês vem somar-se a outros estudos que têm evidenciado o quanto a qualidade do sêmen humano está se deteriorando ao longo dos anos, em boa parte, por causa de maior exposição a poluição e agentes químicos. “É fundamental encontrar e reduzir os agentes que estão causando esse declínio da fertilidade masculina. Já é possível afirmar, entretanto, que o aumento da frequência de anomalias reprodutivas masculinas reflete os efeitos adversos dos fatores ambientais ou de estilo de vida: maior exposição a agentes ocupacionais e ambientais, medicamentos, doenças sexualmente transmissíveis e maus hábitos nutricionais, entre outros fatores a serem investigados.”
Ainda sobre o estudo dinamarquês, os pesquisadores descobriram que esses desreguladores endócrinos aumentam a quantidade de cálcio encontrada em células de esperma. Já que os íons de cálcio controlam muitas das funções essenciais do esperma, chegaram à conclusão de que, ao alterar o nível de cálcio em uma célula de esperma, isso poderia impactar sua motilidade. Para o especialista brasileiro, além de minuciosa análise seminal, outros testes podem contribuir para o diagnóstico e tratamento da infertilidade – e até mesmo para definir a técnica mais apropriada de reprodução assistida.
“Antes de iniciar o tratamento de infertilidade masculina, entretanto, é importante assegurar que a parceira esteja com seu potencial reprodutivo adequado. Alguns problemas de origem da infertilidade, como vasectomia ou varicocele, podem ser revertidos. Também podem ser corrigidos problemas de disfunção erétil, fimoses muito graves e ejaculação retrógrada. Já com relação ao abuso de álcool, drogas ou superexposição a substâncias tóxicas encontradas em pesticidas, tintas, e numa infinidade de produtos a que o homem está exposto, é necessário fazer um esforço mais abrangente e definitivo para se manter longe do que está afetando diretamente a saúde. Mais do que isso, é importante que as ações do governo estejam alinhadas com essas novas descobertas da ciência para haver uma mudança realmente significativa capaz de evitar o agravamento da saúde da população”, diz Borges.

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