Pesquisa do Fertility é destaque da Revista VEJA!

Publicado 25 de junho de 2018 por larissa. Atualizado 00:02.

Pesquisa do Fertility Medical Group e Instituto Sapientiae revela que o consumo de adoçantes pode reduzir a fertilidade da mulher. Leia a matéria completa sobre esse estudo, com entrevista do nosso diretor científico, Dr. Edson Borges Jr ., especialista em reprodução humana, no portal da VEJA.com.Revista VEJA

Risco insuspeito

Estudo conduzido no Brasil revela que o consumo de adoçantes — e nem precisa ser um consumo muito alto — pode reduzir a fertilidade da mulher

Por Giulia Vidaleaccess_time22 jun 2018, 06h00

No mundo, 40 milhões de mulheres têm algum tipo de dificuldade para engravidar — 5 milhões delas estão no Brasil. Para cerca de metade, a técnica artificial de reprodução é uma alternativa. O número de mulheres que recorrem à fertilização in vitro, método de laboratório que forma o embrião fora do útero, aumentou 300% nos últimos trinta anos. Os motivos desse crescimento são compreensíveis. As chances de uma concepção natural resultar numa gravidez bem-­sucedida são de 30% para mulheres com idade de 20 a 30 anos. Depois dos 35 anos, esse índice cai para menos de 15%. Aos 40 anos, despenca para 5%. Já na fertilização in vitro, a taxa de sucesso chega hoje a 40%. Mas, apesar de relativamente alta, ela não se altera há pelo menos cinco anos. Agora, um novo estudo revela o que pode ser uma das barreiras a impedir o crescimento desse índice.

O estudo foi publicado na prestigiosa Reproductive BioMedicine Online, revista que representa oito sociedades médicas especializadas em reprodução de diversos países. Ele mostra que a ingestão diária, ao longo de seis meses, do equivalente a mais de uma lata de refrigerante nas versões light e zero, ou uma xícara de 240 mililitros de café adoçado artificialmente, reduz em até 30% as chances de gravidez pela técnica da reprodução assistida.

O estudo constatou que a ingestão frequente de adoçantes prejudica a qualidade dos óvulos e reduz a taxa de sucesso de fixação do embrião no útero. Realizado pelas instituições brasileiras Fertility Medical Group e Instituto Sapientiae, o trabalho analisou 5 548 óvulos de 524 mulheres com idade média de 36 anos. Como todas as voluntárias haviam se submetido à técnica de reprodução assistida, as conclusões do estudo, por enquanto, só podem ser aplicadas às que recorrem a esse método de concepção. Ou seja: não se avaliou o efeito dos adoçantes no índice de uma gravidez natural.

O estudo não informa se a redução ou a abstenção de adoçantes pode reverter os danos causados aos óvulos. Diz o médico Edson Borges, diretor da Clínica Fertility, em São Paulo, coordenador do trabalho: “O mecanismo exato de ação dos adoçantes ainda precisa ser estudado em detalhes, mas a hipótese mais provável é que eles deflagrem um efeito inflamatório no organismo da mulher”. A inflamação causada pelo contato crônico com o adoçante liberaria a citocina, substância que afeta a formação normal do óvulo e a saúde do útero.

Adoçantes já haviam sido associados ao parto prematuro. Uma pesquisa dinamarquesa, realizada pelo Instituto Statens Serum com 59 334 mulheres, concluiu que o consumo diário de pelo menos um refrigerante adoçado artificialmente aumentava o risco de parto prematuro em impressionantes 38%. A hipótese mais aven­tada nesse caso é que os compostos dos adoçantes são quebrados em substâncias químicas que alteram o ambiente uterino. Anor­malidades na função ovulatória são o principal problema das mulheres que não conseguem engravidar. Para elas, a descoberta dos brasileiros, além de abrir uma frente importante de pesquisas, pode significar o início da realização de um sonho.

Publicado em VEJA de 27 de junho de 2018, edição nº 2588

Fonte:https://veja.abril.com.br/revista-veja/risco-insuspeito/

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