Terapias complementares combatem o estresse e a infertilidade

Publicado 20 de maio de 2015 por Jornalismo Fertility. Atualizado 20:15.

Muito já se falou sobre o quanto o estresse é nocivo para mulheres que estão tentando engravidar ou já estão em tratamento de fertilização assistida. Particularmente, nessa fase da vida é muito importante lançar mão de recursos para manter o equilíbrio emocional. Afinal, não é fácil lidar com a dificuldade de engravidar e muito menos controlar as expectativas que envolvem cada fase do tratamento. Por isso mesmo, além de algumas clínicas oferecerem acompanhamento psicológico para o casal, há especialistas que defendem uma abordagem mais holística – propondo às suas pacientes que pratiquem alguma atividade voltada ao relaxamento. Na opinião de Assumpto Iaconelli Junior, especialista em Medicina Reprodutiva e diretor do Fertility Medical Group, além de caminhada, acupuntura, ioga e massagem são as atividades preferidas pelas futuras mamães.
“Ao se conectar com uma atividade de relaxamento, notamos claramente uma desaceleração nos níveis de ansiedade da paciente, além de todo o corpo entrar em equilíbrio – facilitando o tratamento e a concepção”, diz o médico. Estudos mostram que, diante de um diagnóstico de infertilidade, os níveis de estresse são similares aos experimentados por pacientes que recebem diagnóstico de doença terminal. “Os hormônios do estresse, incluindo cortisol, ACTH (adrenocorticotrófico), noradrenalina e adrenalina são liberados na corrente sanguínea como uma defesa, forçando o corpo a lutar pela sobrevivência. Nessas circunstâncias, só as funções vitais têm prioridade, não a função reprodutiva ou outra qualquer. Quando esse quadro se repete com muita frequência, acaba interferindo bastante no equilíbrio hormonal como um todo e nos padrões de ovulação”.
A acupuntura vem sendo incorporada à rotina de pacientes nos tratamentos de infertilidade. Estudo divulgado no British Medical Journal revelou que mulheres submetidas a tratamentos de fertilização in vitro aumentaram as chances de concepção em 65% ao recorrer à acupuntura também como técnica de relaxamento. Em geral, essa prática também é reconhecida por ajudar a regular o fluxo menstrual, reduzir os níveis de ansiedade, aumentar o fluxo sanguíneo no útero, reduzir o risco de hemorragias e abortos.
A colaboração da ioga nos tratamentos de infertilidade se dá a partir do momento em que efetivamente essa prática combate o estresse, levando a paciente a buscar o equilíbrio físico e mental na sua rotina diária. De acordo com Herbert Benson, cardiologista de Harvard (Estados Unidos), ao praticar os movimentos da ioga, a paciente também trabalha meditação, respiração e visualização – o que tem impacto positivo numa mudança de comportamento, combatendo a ansiedade e a tensão emocional que costumam atrapalhar o sono e a concepção.
Já a massagem é uma forma agradável de melhorar a circulação sanguínea em todo corpo, mais especificamente nos órgãos reprodutivos. Trabalhando pontos de pressão e respiração, o sistema hormonal entra em equilíbrio e fornece todo suporte necessário para o processo de concepção. Um grupo formado por ginecologistas e terapeutas corporais descobriu que algumas técnicas de massagem também removem bloqueios e reduzem adesões – fator presente em 40% dos casos de infertilidade.
Na opinião de Iaconelli, é fundamental valorizar essas técnicas que reconhecidamente agem no reposicionamento emocional das pessoas, principalmente em relação aos casais em tratamento de fertilização assistida. Coordenador técnico do Instituto Sapientiae, braço acadêmico do Fertility, o especialista conta que o instituto avaliou o impacto do estresse oxidativo em 332 casais inférteis em tratamento de fertilização assistida – analisando sêmen e fluido folicular. Ficou comprovado que o excesso de radicais livres tem impacto negativo sobre o DNA, lipídios e proteínas, dificultando a gravidez. “Níveis altos de estresse emocional desencadeiam uma série de desdobramentos no organismo humano, incluindo o aumento do estresse oxidativo, que está diretamente ligado à piora da qualidade dos oócitos e da qualidade do sêmen. Sendo assim, controlar os níveis de estresse faz parte de um conjunto de medidas que integram um tratamento de fertilização assistida. É importante, então, que a paciente se identifique com alguma dessas terapias e persista nela durante todo o processo. O mínimo que irá acontecer é atravessar esse importante período com mais confiança e serenidade”.
Fonte: Dr. Assumpto Iaconelli Junior, especialista em Medicina Reprodutiva e Fertilização Assistida, diretor do Fertility Medical Group e coordenador técnico do Instituto Sapientiae. www.fertility.com.br // www.sapientiae.org.br

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